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    ReACT e Angina Refratária: quando a terapia celular abre caminho para pacientes 'sem opção'

    A angina refratária é um dos cenários mais desafiadores da cardiologia: pacientes com dor no peito mesmo em repouso, apesar do melhor tratamento clínico disponível, e que não podem ser submetidos a novas revascularizações. Em 2009, um estudo clínico brasileiro avaliou o ReACT — e os resultados chamaram atenção.

    18 min de leitura
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    Resposta Rápida

    O protocolo ReACT (Refractory Angina Cell Therapy), desenvolvido no ecossistema Cryopraxis/CellPraxis e testado em pacientes com angina refratária sem disfunção ventricular esquerda, apresentou melhora clínica progressiva e sustentada e redução objetiva de isquemia miocárdica em um estudo fase I/IIa (aberto e não controlado) publicado em 2009.

    O que é angina?

    Angina é um desconforto ou pressão no peito (podendo irradiar para braço, mandíbula, costas) causado, em geral, por desequilíbrio entre a oferta de oxigênio ao coração e a demanda do miocárdio — frequentemente por doença arterial coronariana. Em termos simples: o coração "pede" mais sangue do que as artérias conseguem entregar.

    O que é angina refratária?

    Em linhas gerais, angina refratária é a angina persistente e incapacitante apesar de terapia medicamentosa otimizada, em pacientes que já esgotaram (ou não são candidatos a) opções usuais de revascularização (PCI/stent ou cirurgia). Essa população é frequentemente descrita como "no-option" por não haver alternativas convencionais viáveis.

    Critério do estudo ReACT

    No estudo do ReACT, "refratária" significou um critério ainda mais duro: classe funcional CCS IV (angina em repouso), apesar de terapia máxima, com miocárdio viável e isquêmico, sem disfunção ventricular esquerda importante, e inadequação para nova revascularização definida por especialistas.

    O que foi o projeto ReACT?

    O artigo "Refractory Angina Cell Therapy (ReACT)… A Possible Role for Monocytes" (Cell Transplantation, 2009) descreve um ensaio fase I/IIa, aberto e não controlado, com 8 pacientes com angina refratária e miocárdio viável isquêmico, sem disfunção ventricular esquerda, não elegíveis para revascularização convencional.

    Como foi realizado o procedimento?

    O protocolo envolveu uma abordagem cirúrgica com múltiplas injeções intramiocárdicasde células mononucleares autólogas de medula óssea (BMCs) na zona isquêmica viável, identificada por exames de imagem prévios.

    • Coleta de medula óssea autóloga
    • Processamento e isolamento de células mononucleares
    • Injeção intramiocárdica guiada
    • Acompanhamento em 3, 6, 12 e 18 meses

    Resultados do ReACT: por que foram tão animadores?

    1. Melhora clínica sustentada

    A mediana da classe CCS de angina melhorou de IV para II ao longo do seguimento, com significância estatística.

    Na prática: sair de dor em repouso para sintomas bem mais controlados, permitindo retorno a atividades cotidianas.

    2. Redução da área isquêmica

    A área isquêmica mostrou redução progressiva:

    • • −39,4% em 6 meses (tendência)
    • −84,4% em 12 meses (significativa)

    3. Segurança observada

    Até 18 meses: ausência de arritmias e ausência de neoplasialocal (avaliada por ressonância) ou sistêmica. Fração de ejeção sem mudança estatisticamente significativa (≈60,6% para 61,1%).

    4. Impacto na qualidade de vida

    Para quem convive com dor em repouso e restrição severa, "melhorar classe CCS" não é um número: é dormir melhor, caminhar, ter autonomia.

    Um achado mecanístico importante: o possível papel dos monócitos

    O artigo descreve correlação entre a concentração de monócitos no produto celular injetado e a melhora clínica/redução de isquemia. Os autores sugerem que monócitos podem ser importantes mediadores do efeito observado — possivelmente via estímulo à neoangiogênese (formação de novos vasos) e melhora da perfusão em território viável isquêmico.

    Hipótese de neoangiogênese

    A formação de novos vasos sanguíneos no miocárdio isquêmico poderia explicar a melhora clínica iniciando cedo e sustentada no tempo, bem como a redução objetiva da área isquêmica observada por cintilografia.

    Limitações e próximos passos

    Cautela na interpretação

    O próprio artigo é claro: trata-se de um estudo pequeno (n=8), aberto e não controlado, o que exige cautela na interpretação e reforça a necessidade de ensaios maiores e controlados.

    Além disso, o texto discute que pode haver remissões espontâneas em angina refratária, o que é um motivo adicional para estudos comparativos robustos.

    Perspectivas para continuidade

    • Continuação de protocolos clínicos com desenho mais robusto (controle, maior amostra, desfechos padronizados)
    • Parcerias com centros de referência em cardiologia para replicação e validação
    • Estratégia regulatória e de qualidade para apoiar estudos e programas com segurança e rastreabilidade

    Para médicos, pesquisadores e potenciais parceiros

    Se você é médico(a), pesquisador(a), centro clínico ou potencial parceiro e deseja conversar sobre continuidade científica e clínica do ReACT:

    Perguntas frequentes (FAQ)

    Referência científica

    Hossne NA Jr, Invitti AL, Buffolo E, Azevedo S, Cruz LE, et al.

    Refractory Angina Cell Therapy (ReACT) Involving Autologous Bone Marrow Cells in Patients Without Left Ventricular Dysfunction: A Possible Role for Monocytes.

    Cell Transplantation. 2009;18(12):1299–1310.
    DOI: 10.3727/096368909X484671
    PMID: 20149298

    Comentários dos especialistas

    "O resultado observado em 2009 mostrou um sinal clínico e objetivo consistente, que merece ser aprofundado com rigor: padronização, desenho clínico robusto e expansão responsável."

    Luis Eduardo da Cruz

    Farmacêutico | P&D em terapias avançadas

    "Angina refratária é sofrimento real — dor em repouso e limitação profunda. O que torna o ReACT tão relevante é combinar uma hipótese biologicamente plausível (neoangiogênese) com sinais clínicos sustentados. O próximo passo é ampliar evidência e acesso com segurança."

    Dra. Carolina Cruz

    Médica especialista em medicina regenerativa

    Aviso importante

    Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica individual. Para informações sobre sua condição específica, consulte um cardiologista.

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